
Você lembra como era planejar uma viagem antes do Airbnb no Brasil?
Era aquela saga: pesquisar hotéis em sites confusos, comparar preços em páginas que pareciam feitas nos anos 90 e, no fim, cair em um quarto padronizado, sem charme, que poderia estar em qualquer lugar do mundo.
Pois é, parece coisa de outra era. Hoje, é praticamente impossível pensar em viajar sem dar aquela espiadinha no aplicativo que colocou o poder da hospedagem na palma da nossa mão.
O Airbnb não é apenas uma ferramenta de reserva. Ele é um fenômeno cultural e econômico que mudou a forma como viajamos, como hospedamos e até como moramos. O que começou em 2012 como uma aposta tímida no Brasil explodiu durante a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, transformando o turismo nacional.
Neste guia, vamos mergulhar fundo nesse universo:
Se ajeite aí, porque a viagem começa agora.
Quando você reserva uma cabana charmosa na serra ou uma casinha pé na areia pelo Airbnb, não é só o anfitrião que ganha. O impacto vai muito além. Estamos falando de bilhões de dólares girando na economia brasileira.
De acordo com estudos da Oxford Economics, em 2022 os hóspedes que usaram a plataforma gastaram cerca de 5,2 bilhões de dólares no Brasil. Isso representa 5,2% de toda a atividade turística direta do país.
Ou seja: de cada R$ 20 gastos com turismo, pelo menos R$ 1 passa, de alguma forma, pelo ecossistema do Airbnb.
Ao contrário dos hotéis, que concentram os gastos dentro de seus próprios serviços, o Airbnb joga o turista direto no bairro.
O viajante compra pão na padaria da esquina, almoça no restaurante indicado pelo anfitrião, chama um motorista local, visita lojinhas artesanais. O dinheiro circula de forma muito mais capilarizada e democrática, beneficiando pequenos negócios.
Em 2022, a atividade gerada pelo Airbnb no Brasil sustentou 115 mil empregos. São vagas que vão desde restaurantes e bares até serviços de manutenção, lavanderia e turismo.
E a tendência é só crescer. Em setembro de 2024, o site da plataforma registrou um aumento de 21,3% nos acessos em um único mês, entrando no Top 3 das empresas de turismo mais acessadas do país.
Antes, turismo no Brasil era praticamente sinônimo de capitais litorâneas famosas. Mas com o Airbnb, cidades pequenas e até povoados ganharam espaço no mapa.
Desde 2020, quase 600 cidades brasileiras receberam sua primeira reserva. Em 2023, o número de destinos ultrapassou 2.300 — e a maioria não eram grandes centros urbanos.
Cidades como Boqueirão do Leão (RS), Campestre (MG) e Aurora do Tocantins (TO) entraram de vez na rota turística, mostrando um Brasil escondido que agora está no radar dos viajantes.
Durante a pandemia, as reservas em áreas não urbanas cresceram 150%. Isso porque os brasileiros passaram a procurar refúgios tranquilos, ideais para trabalho remoto ou para fugir da rotina caótica das metrópoles.
E adivinha? O Airbnb no Brasil foi a chave para essa redescoberta.
Além de ser opção de hospedagem, o Airbnb virou negócio lucrativo para quem investe em imóveis.
De acordo com a consultoria Referência Capital, essas são as cidades mais rentáveis:
| Ranking | Cidade/Estado | Rentabilidade Anual | Valorização Imobiliária | Retorno Total | Atrativo Principal |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | São Paulo (SP) | 10% a 12% | 8% | Até 20% | Negócios e cultura |
| 2 | Rio de Janeiro (RJ) | 9% a 14% | 7% | Até 21% | Turismo e eventos |
| 3 | Balneário Camboriú (SC) | Até 14% | 10% | Até 24% | Luxo e praias |
| 4 | Itapema (SC) | Até 9% | 9% | Até 15% | Custo-benefício |
| 5 | João Pessoa (PB) | 8% a 12% | n/d | Até 18% | Qualidade de vida |
| 6 | São Miguel dos Milagres (AL) | Até 15% | 12% | Até 27% | Ecoturismo e exclusividade |
Quer saber os lugares mais procurados do Airbnb no Brasil? Aqui vai o mapa:
Segundo o Airbnb, dois destinos brasileiros estão entre os mais buscados do mundo: Florianópolis (SC) e Brasília (DF).
O que faz o Airbnb no Brasil brilhar mesmo são as hospedagens inusitadas.
Cada estadia é praticamente uma experiência turística por si só.
Nem tudo são flores. O crescimento meteórico do Airbnb trouxe debates intensos:
O STJ já decidiu que condomínios podem proibir aluguel via plataformas se a convenção assim determinar. A discussão é se o modelo é locação por temporada ou serviço de hospedagem.
Municípios turísticos querem que o Airbnb no Brasil pague impostos localmente, e não apenas na cidade onde tem sede (São Paulo). A decisão de Petrópolis, que obrigou a plataforma a recolher ISS, abriu um precedente enorme.
Em bairros como Ipanema (RJ), já existe um anúncio do Airbnb para cada sete moradias. Isso pressiona os aluguéis tradicionais e expulsa moradores locais. A favela do Vidigal, por exemplo, virou caso de estudo sobre como a plataforma muda a dinâmica social.
Dicas para aproveitar o Airbnb no Brasil sem cair em roubadas:
Com o trabalho remoto em alta, muita gente está usando o Airbnb para viver temporadas mais longas em diferentes cidades. Hoje, 1 em cada 5 reservas no mundo é para estadias de 28 dias ou mais.
Isso muda tudo: o Airbnb deixa de ser só turismo e vira também moradia temporária. Mas isso também intensifica debates sobre moradia e gentrificação.
O Airbnb no Brasil não é mais novidade, é realidade. Ele movimenta bilhões, cria empregos, leva turistas para cidades esquecidas e oferece experiências únicas.
Ao mesmo tempo, traz dilemas sobre leis, impostos e moradia. O desafio é encontrar equilíbrio para que a plataforma continue sendo uma força de inovação sem prejudicar comunidades locais.
No fim, quando você abre o aplicativo e clica em “Reservar”, não está apenas escolhendo onde dormir. Está participando de uma revolução no jeito de viajar, morar e se conectar com o Brasil.